quinta-feira, 9 de abril de 2009

: : eu também choro : :



"Faz de conta que ela nao estava chorando por dentro -
pois agora mansamente, embora de olhos secos,
o coração estava molhado;

ela saíra agora da voracidade de viver."
- Clarice Lispector -


Hoje eu chorei... e foi péssimo! Tem dia que é bom chorar... alivia, desafoga e ajuda a demonstrar o que vem de dentro e não encontra palavras. O choro pode ser legítimo e é muitas vezes aconselhável. No geral, eu aprovo o choro! Hoje não... eu chorei (e ainda estou chorando) e está péssimo! Me sinto vulnerável, fraca, desvelada... como se alguém tivesse me achado onde eu imaginei estar escondida, protegida... Chorei e perdi o argumento. Desconcentrei e esqueci minhas defesas, minhas "desculpas". Prostrei e assisti ao meu próprio desastre. Chorei como uma "mulherzinha" (no sentido pejorativo, vergonhoso, humilhante). Fui "mulherzinha" (ou poderia ser "fui homenzinho"... o sentido não é este) enquanto o que eu gostaria era de ter sido "mulher"... mulher corajosa, independente, forte, dona de si, da própria vida, bla bla bla... não vou enumerar pra não deprimir nem me desvelar ainda mais!

Chorei. Choro. Fraca! Meio idiota. Meio burra. Meio boba. Mas, ok... a discussão mexeu comigo SIM. Uma inocente (???) conversa de mesa de bar sobre "o que entendemos sobre Relação de Gênero" foi capaz de uma reviravolta (mesmo que momentânea), cutucou feridas, remexeu assuntos delicados... sobrou para os mais fracos... no caso... eu e a carapuça... eu e dependência... eu e a acomodação... eu e meus discursos... eu e a vontade de estar vivendo outro momento... mais ativo, de mais sucesso, de mais reconhecimento, e outro bla bla bla... novamente sem enumerar pra (tentar) não deprimir. Não quero ser alguém que fala e não faz... ou pior... alguém da turma do "faça o que eu falo, etc..." Não! Não!




Tá tarde. Vou dormir. E parar por aqui pra não piorar as coisas!



Ps: Baqueei.
Que droga!
Sobreviverei??
Amanhã eu volto e conto!

terça-feira, 7 de abril de 2009

: : . . . se . . . : :




"Basta de poemas para depois...
Ó Vida, e se nós dois
vivêssemos juntos?"

- Convite, Mário Quintana -

: : anjo da guarda do santo do pau-oco : :



Turris eburnea.

Que o poeta brutalista é o espeto do cão.
Seu lar esburacado na lapa abrupta. Acolá ele vira onça
e cutuca o mundo com vara curta.
O mundo de dura crosta é de natural mudo,
e o poeta é o anjo da guarda
___________do santo do pau-oco.
Abre os poros, pipoca as pálpebras, e, com a pá virada,
mija em leque no cururu malocado na cruz da encruzilhada.
Cachaças para capotar e enrascar-se em palpos de aranha.

Ó mundo de surdas víboras sem papas nas línguas cindidas,
__________serpes, serpentes,
já que o poeta mimético se lambuza de mel silvestre,
carrega antenas de gafanhoto mas não posa de profeta:
________________________"Ó voz clamando no deserto."
Pois eu, pitonisa, falo que ele, poeta,
_______não permite que sua pele crie calo
dado que o mundo é de áspera epiderme
_____________como a casca rugosa de um fero rinoceronte
_____________ou de um extrapoemático elefante
posto que nas entranhas do poema os estofos do elefante
_______são sedas
_______________delicadezas
______________________carências de humano paquiderme.

É o mundo ocluso e mouco amasiado ao poeta gris e oco.
Caatinga de grotão seco atada à gamela de pirão pouco.
Suportar a vaziez.
Suportar a vaziez como um faquir que come sua própria fome
e, sem embargo, destituído quiçá do usucapião e usufruto do tino
com a debandada de qualquer noção de impresso prazo de jejum.

_____________Suportar a vaziez.
_____________Suportar a vaziez.
_____________Suportar a vaziez.
Sem fanfarras, o vazio não carece delas.


- Estética da Recepção, Waly Salomão -

segunda-feira, 6 de abril de 2009

: : Para Daniel, meu amigo : :

(Festa Junina da FAFICH - Junho/ 2001)


You've Got a Friend
- James Taylor -

"When you're down and troubled, and you need a helping hand,
And nothing, whoh nothing is going right.
Close your eyes and think of me, and soon I will be there,
To brighten up even your darkest night.

You just call out my name, and you know wherever I am,
I'll come running, oh yeah babe, to see you again.
Winter, spring, summer or fall, all you got to do is call,
And I'll be there, yeah yeah yeah, you've got a friend."



O Daniel foi a primeira pessoa que conheci na faculdade, ou seja, em outra palavras... comecei, definitivamente, com o pé direito aquele curso de Psicologia. Cabeludo, professor de Yôga, com cara de "doidão"... desde sempre ele falava coisas eu não entendia muito bem. E a gente foi ficando amigo, ficando amigo, ficando amigo... compartilhando a semana e o final de semana, as aulas, festas, choros e velas... Hoje, 9 anos depois (nuh!)... ele é um dos amigos que eu sei que terei para sempre. A gente não convive na presença... eu voltei para Sete Lagoas, ele voltou para Uberaba... e hoje em dia a gente "se convive" só no pensamento e na saudade. Mas amigo que é amigo é assim também... a gente sabe que ele está ali... que é só ligar ou vibrar ou conectar o que quer que seja... e pronto.

Daniel, meu amigo... espero que o aniversário ontem tenha sido feliz e cercado de pessoas que lhe são importantes e especiais. Mais uma vez, de tantas outras que passaram e que ainda virão, infelizmente... eu não estava aí, mas saiba que aqui "you´ve got a friend"!!!

Um grande abraço.

: : Para Letícia : :



Ps: Para ler, basta
clicar na imagem... ok?

domingo, 5 de abril de 2009

: : esperança, distração e recomeço : :




Tão bom viver dia a dia...
A vida, assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
como essas nuvens do céu...

E só ganhar, toda a vida,
inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
das outras vezes perdidas,

atiro a rosa do sonho
nas tuas mãos distraídas...


- Canção do dia de sempre, Mário Quintana -

: : outra história : :



"Eu não quero ver de novo
Tudo que vi em mim
Só rabiscos
Só esboços
Me vi incompleto assim

Eu estive num lugar
Com a dor de companhia
Nenhum plano
Já sem vida
Numa estrada sem saída

Mas agora
Tudo novo de novo
Outra história
Vivendo pouco a pouco.

- Vivendo pouco a pouco, Ganga Bruta -